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Editor: José Trindade



quinta-feira, 21 de outubro de 2010

DILMA E A REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA.

O quarto poder nacional continua como ponta de lança do udenismo psdebista, agindo no enfraquecimento das instituições democráticas. A ida para o segundo turno, sob condições extremamente peculiares, resultante do forte crescimento de Marina, levou o comando tucano a tentar o “tudo ou nada”, capitaneando o “bloco histórico” dos setores mais atrasados da sociedade brasileira alavancados pela efetiva atuação do “Partido da Grande Mídia”.
Vale ponderar que esses setores tinham sofrido graves derrotas no contexto de luta democrática brasileira. Nos últimos trinta anos a organização de importantes setores da sociedade civil brasileira avançou na perspectiva de construção do conceito de nação brasileira, estabelecendo resistência ao processo de globalização autoritária e construindo campo de forças claramente contrárias a hegemonia neoliberal. Pode-se lembrar que na década de 90 por mais que a visão reducionista neoliberal tenha se imposto na forma dos governos Collor e, posteriormente FHC, porém a forte oposição organizada em torno do PT e de movimentos sociais autônomos (MST e movimentos urbanos) barrou a implementação em sua totalidade do projeto neoliberal udenista aquela altura.
A organização de um “bloco histórico”, como Gramsci definia a tríplice relação entre hegemonia social por uma classe, capacidade ideológica e poder de imposição econômica, alternativo aquele hegemonizado pelas elites conservadoras foi historicamente limitada pelas características estruturais brasileiras, principalmente a concentração da riqueza e da renda, aliada a não realização de reformas clássicas, como a agrária. Assim, desde a década de trinta o bloco histórico hegemônico fundamenta-se nas elites burguesas urbanas e parcela das elites rurais, sendo que em raros momentos da história republicana brasileira se teve influencia efetiva de setores populares nas relações de poder governamental.
O governo Lula representa efetivamente uma alteração propositiva no arranjo de forças e interesses sociais, temperando as disputas sociais com ingredientes até então desconhecidos do bloco histórico hegemônico de classes. Não estamos falando de rupturas e sim em processo gradual de alteração nas condições de disputa social, caracteristicamente uma revolução democrática, cujos ingredientes mais fortes são as ações de grande número de atores vinculados as classes trabalhadoras, seja via participação partidária, não somente o PT, seja via diversos movimentos sociais, seja, finalmente, via novas formas de intervenção, como as redes sociais virtuais.
A consolidação desse novo perfil das relações de poder na sociedade brasileira ainda está por se dá, fazendo parte do processo denominado por Caio Prado Júnior de revolução democrática, entendendo que as resistências e forças contra-revolucionárias autoritárias são presentes e fortes. A ação democrática mais central neste momento refere-se a garantia de eleição de Dilma, impondo nova derrota aos setores mais atrasados da sociedade brasileira e caminhando para o debate fraterno em torno da construção de que projeto de nação nos interessa!


Proposta Democrática 13.

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