Espaço de debate, crônica crítica do cotidiano político paraense e de afirmação dos pressupostos de construção de um Pará e Brasil Democrático e Socialista!

Editor: José Trindade



segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A "César o que é de César": uma revolução no sistema viário


Ao anunciar investimentos do governo em mobilidade urbana, hoje (13), em Curitiba, a presidenta Dilma Rousseff disse que o governo tem que "correr contra o tempo" para que as grandes cidades brasileiras tenham condições de mobilidade adequada na Copa do Mundo de 2014.

"Temos de ser capazes de correr contra o tempo. Na verdade, nós já tínhamos de ter nos antecipado ao crescimento da pressão urbana e investido ao longo da década de 1980 e 1990 e agora, no início do século 21, nós já tínhamos de ter a possibilidade de ter todos esses investimentos feitos", disse Dilma. Confira a matéria no link http://agenciabrasil.ebc.com.br/

Belém foi preterida enquanto sede da Copa de 2014. Curiosamente Belém foi a primeira capital a se preparar no quesito Mobilidade Urbana. A presidenta Dilma corretamente levanta a preocupação com a questão da mobilidade urbana e mais do que nunca cabe a defesa das políticas públicas desenvolvidas pelo governo do PT no Pará e no Brasil.

Vale aqui rememorar uma das principais obras do Governo Ana Júlia. O "Ação Metrópole" demonstrou o quanto a coerência de governar diretamente voltado aos interesses da população são coerentes. Infelizmente não tivemos a copa, mas as Avenidas e a melhor mobilidade em Belém é hoje uma realidade, que os digam nossos visitantes do Círio de Nazaré.

Projeto Ação Metrópole mudou, definitivamente, a vida de Belém e de toda a Região Metropolitana.

O elevado Daniel Berg, a Avenida Dalcídio Jurandir, a Transmangueirão e a nova Arthur Bernardes estão descongestionando o trânsito, reduzindo o tempo de viagem e melhorando a qualidade de vida de quase dois milhões de pessoas. Tudo está preparado para a implantação do Sistema Integrado de Transporte Público, envolvendo os cinco municípios da Região Metropolitana - Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides e Santa Bárbara do Pará, assim como do Bilhete Único, que significa o pagamento de uma passagem apenas, mesmo para quem precise de mais de uma condução para chegar ao seu destino.






Terminal Hidroviário de Belém

O Terminal Hidroviário de Belém fica na rodovia Arthur Bernardes, próximo ao Hospital Sarah Kubitschek, um investimento de aproximadamente R$ 9 milhões para possibilitar ao usuário qualidade no atendimento, segurança e conforto, integrando o modal de transporte hidroviário com as linhas de transporte rodoviário urbano na Região Metropolitana de Belém, para atender todas as necessidades do potencial hidroviário da capital e dos municípios que integram a Região Metropolitana de Belém.



O governo do PSDB preferiu não dar continuidade a essas obras fundamentais. O atual governo prefere a disputa política mais rebaixada do que mostrar que o PT estava com a razão ao optar pela melhoria das condições de tráfego e mobilidade urbana na Região Metropolitana de Belém.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação na OCDE e nos BRICS

O Instituto de Estudo para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) publica periodicamente informativo sobre inovação, ciência e tecnologia. O acompanhamento desses aspectos são vitais para traçarmos políticas públicas referentes ao planejamento do desenvolvimento.

A Carta IEDI de 14 de Janeiro sumariza as principais tendências dos investimentos em ciência, tecnologia e inovações que são objeto do relatório Science, Tecnology and Industry Outlook 2010, divulgado em meados de dezembro pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Este estudo mostra que até a eclosão da crise financeira em 2008, que resultou em uma forte recessão econômica na maioria dos países em todo o mundo, os gastos domésticos com pesquisa e desenvolvimento (GERD, na sigla em inglês) na área da OECD cresceram a uma taxa anual média real de 3,6% entre 1997 e 2007, alcançando variação anual superior a 4% nos anos mais recentes deste período. Em razão da crise global, o aumento real nos gastos de P&D desacelerou entre 2007 e 2008, com a taxa de expansão declinando para 3,1% no conjunto da área OECD. Em termos absolutos, o GERD da OCDE alcançou US$ 935 bilhões em 2008 (em Paridade Poder de Compra corrente – PPC), o equivalente a 2,3% do PIB total.

Os gastos domésticos com P&D também continuaram a aumentar nas principais economias emergentes, notadamente, nos países do acrônimo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Dentre os países não-membros da OCDE, o principal destaque é a China, aonde a ampliação do GERD vem se dando em ritmo acelerado desde o início da década de 1990. Em proporção do PIB, os investimentos chineses nas atividades de P&D subiram 0,73% em 1991 para 1,5% em 2008, atingindo um volume equivalente a 13% do GERD total da OCDE (ante a apenas 3% em 1998 e 5% em 2001).

Em relação ao Brasil, o estudo destaca que, não obstante as melhoras registradas em algumas áreas nos últimos dois anos, o perfil da ciência e tecnologia nos pais apresenta vários pontos fracos: baixa intensidade do P&D (GERD equivalente a 1,1% do PIB em 2008), sérias carências em termos de qualificação dos recursos humanos nas áreas na área de ciência e tecnologia, pouca produção de patentes (0,3 patentes triádicas por milhão de habitantes em 2008), reduzido percentual de empresas efetuando inovação de produtos e/ou colaborando na realização de inovação. Em contraposição, a crescente produção científica e o número de doutores per capita relativamente elevado são os pontos positivos.

Confira a integra da matéria no sítio do IEDI: http://www.iedi.org.br/
Ilustração: Pintura de Miró




O que está em causa

Todos recordam do Brasil das décadas de 80 e 90, as intervenções permanentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e as imposições de metas e regras que empobreciam crescentemente nossa população. A atual crise capitalista convergiu a “fúria institucional” desses organismos internacionais (Banco Mundial e FMI) para nossos “primos” ibéricos. O artigo do professor Boaventura deixa claro que a solução da ortodoxia econômica talvez jogue a Europa em um longo inverno.

O artigo está no sitio Carta Maior e reproduzimos aqui na integra.



Por Boaventura de Sousa Santos

Depois de décadas de “ajuda ao desenvolvimento” por parte do Banco Mundial e do FMI, um sexto da população mundial vive com menos de 77 centavos por dia. O que vai acontecer a Portugal (no seguimento do que aconteceu à Grécia e à Irlanda e irá acontecer à Espanha, e talvez não fique por aí) aconteceu já a muitos países em desenvolvimento. A intervenção do FMI teve sempre o mesmo objetivo: canalizar o máximo possível do rendimento do país para o pagamento da dívida. A “solução da crise” pode bem ser a eclosão da mais grave crise social dos últimos oitenta anos.


Portugal é um pequeno barco num mar agitado. Exigem-se bons timoneiros mas se o mar for excessivamente agitado não há barco que resista, mesmo num país que séculos atrás andou à descoberta do mundo em cascas de noz. A diferença entre então e agora é que o Adamastor era um capricho da natureza, depois da borrasca era certa a bonança e só isso tornava “realista” o grito de confiança nacionalista, do “Aqui ao leme sou
mais que eu…”.

Hoje, o Adamastor é um sistema financeiro global, controlado por um punhado de grandes investidores institucionais e instituições satélites (Banco Mundial, FMI, agências de avaliação de risco) que têm o poder de distribuir as borrascas e as bonanças a seu bel-prazer, ou seja, borrascas para a grande maioria da população do mundo, bonanças para eles próprios. Só isso explica que os 500 indivíduos mais ricos do mundo tenham uma riqueza igual à da dos 40 países mais pobres do mundo, com uma população de 416 milhões de habitantes. Depois de décadas de “ajuda ao desenvolvimento” por parte do BM e do FMI, um sexto da população mundial vive com menos de 77 cêntimos por dia.

O que vai acontecer a Portugal (no seguimento do que aconteceu à Grécia e à Irlanda e irá acontecer à Espanha, e talvez não fique por aí) aconteceu já a muitos países em desenvolvimento. Alguns resistiram às “ajudas” devido à força de líderes políticos nacionalistas (caso da Índia), outros rebelaram-se pressionados pelos protestos sociais (Argentina) e forçaram a reestruturação da dívida. Sendo diversas as causas dos problemas enfrentados pelos diferentes países, a intervenção do FMI teve sempre o mesmo objetivo: canalizar o máximo possível do rendimento do país para o pagamento da dívida. No nosso contexto, o que chamamos “nervosismo dos mercados” é um conjunto de especuladores financeiros, alguns com fortes ligações a bancos europeus, dominados pela vertigem de ganhar rios de dinheiro apostando na bancarrota do nosso país e ganhando tanto mais quanto mais provável for esse desfecho.

E se Portugal não puder pagar? Bem, isso é um problema de médio prazo (pode ser semanas ou meses). Depois se verá, mas uma coisa é certa: “as justas expectativas dos credores não podem ser defraudadas”. Longe de poder ser acalmado, este “nervosismo” é alimentado pelas agências de notação: baixam a nota do país para forçar o Governo a tomar certas medidas restritivas (sempre contra o bem-estar das populações); as medidas são tomadas, mas como tornam mais difícil a recuperação econômica do país (que permitiria pagar a dívida), a nota volta a baixar. E assim sucessivamente até a “solução da crise”, que pode bem ser a eclosão da mais grave crise social dos últimos oitenta anos.

Qualquer cidadão com as naturais luzes da vida, perguntará, como é possível tanta irracionalidade? Viveremos em democracia? As várias declarações da ONU sobre os direitos humanos são letra morta? Teremos cometidos erros tão graves que a expiação não se contenta com os anéis e exige os dedos, se não mesmo as mãos? Ninguém tem uma resposta clara para estas questões mas um reputado economista (Prêmio Nobel da Economia em 2001), que conhece bem o anunciado visitante, FMI, escreveu a respeito deste o seguinte:

“as medidas impostas pelo FMI falharam mais vezes do que as em que tiveram êxito…Depois da crise asiática de 1997, as políticas do FMI agravaram as crises na Indonésia e na Tailândia. Em muitos países, levaram à fome e à confrontação social; e mesmo quando os resultados não foram tão sombrios e conseguiram promover algum crescimento depois de algum tempo, frequentemente os benefícios foram desproporcionadamente para os de cima, deixando os de baixo mais pobres que antes. O que me espantou foi que estas políticas não fossem questionadas por quem tomava as decisões…Subjacente aos problemas do FMI e de outras instituições económicas internacionais é o problema de governação: quem decide o que fazem?”
(Joseph Stiglitz, Globalization and its Discontents, 2002)

Haverá alternativa? Deixo este tema para a próxima crônica.

(*) Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

CONCURSO CULTURAL DESTACA TELECENTRO DE XINGUARA

A defesa das políticas públicas encetadas pelo governo do PT tem que ser algo permanente, principalmente considerando que o udenismo psdebista irá buscar desconstruir diversas daquelas políticas públicas. O caso específico dos Telecentros de Negócios, política desenvolvida no âmbito da Secretaria de Fazenda, demonstra o quanto podemos avançar de forma simples inclusive na área fiscal, disponibilizando serviços que se converterão em ganhos sociais com a elevação da arrecadação tributária.

Abaixo relatamos o quanto essa política já é um sucesso:
A servidora Jadevânia Oliveira de Melo, do município de Xinguara, foi a vencedora do concurso cultural promovido pela Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, do Ministério de Minas e Energia (SGM) em parceria com a Associação Telecentro de Informação e Negócios (ATN), com a melhor redação sobre o “Empreendedorismo Virtual”. A decisão foi divulgada dia 20 de dezembro e a vencedora será presenteada com um netbook. O título da redação foi Empreender é saber inovar.
A ganhadora participou de vários cursos promovidos pelo Telecentro de Informação e Negócios e Xinguara, por meio do Navegapará, e ficou feliz em saber da premiação. “Eu levei um susto quando me informaram sobre a classificação. Fiquei feliz, pois isso leva o nome do telecentro de Xinguara e do município, além de fortalecer o meu lado de empreendedora. Já fiz outro curso sobre a tecnologia voltada para a educação, uma vez que sou professora municipal, e vou fazer outro sobre as novas mídias para contribuir com o meu trabalho como jornalista em uma rádio comunitário na região, comemorou.
Para técnico da Sefa, a parceria entre o Ministério de Minas e Energia, o governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefa), e a Associação Telecentro de Informação e Negócio (ATN), fortalece este espaço público e disponibiliza cursos e treinamentos presenciais e à distância visando o fortalecimento das condições de competitividade da microempresa e da empresa de pequeno porte e o estímulo à criação de novos empreendimentos, além de promover a inclusão social e digital. “O telecentro é um instrumento para aproximar os empresários, as instituições públicas e privadas, as organizações não governamentais e a sociedade em geral para fortalecer a interiorização do desenvolvimento e combater as desigualdades regionais”, enfatiza o técnico.


Vale reforçar que nos últimos quatro anos a Sefa teve em curso uma política global de estruturação tributária e fiscal; o "Inovar Fiscal: Inovação Fiscal para o Desenvolvimento do Estado do Pará" compreendeu um conjunto de políticas articuladas e com financiamento garantido do BID. 

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Números inúmeros e as heranças malditas: há algo a encobrir?

Em recente entrevista concedida ao jornal “Diário do Pará”, divulgada mediante matéria do jornalista Frank Siqueira (Domingo, 09/01/2011) o governador Simão Jatene volta a carga sobre os desequilíbrios das contas públicas da gestão Ana Júlia. Os números ainda são preliminares, como reforça a própria matéria, e que de fato só teremos números definitivos com a publicação do Balanço Geral do Estado, o qual deverá ser submetido a Corte de Contas até abril próximo.

Diversos números divulgados terão que ser posteriormente cotejados com os efetivos, considerando, inclusive o quanto de desequilíbrio está presente e o quanto se busca criar fantasmas necessários para a disputa política. Um breve retorno ao Relatório das Contas Anuais do Governo do Estado do Pará de 2006, obtidas no link www.tce.pa.gov.br/docs_pdf/contas_governador/ACG2006.pdf nos possibilita chamar atenção dos leitores para separação entre uso político e vacuidade técnica, ao mesmo tempo o quanto os interesses midiáticos momentâneos fazem ouvidos moucos para a memória recente, o que nos parece é que “sujos sempre falam dos mal lavados”.

Vamos então a uma breve análise, com base nos termos do referido Relatório das Contas Anuais do Governo do Estado do Pará (Exercício 2006).

As contas de 2006 foram fechadas mediante o expediente de antecipação das receitas provenientes do FPE, IPI, CIDE e outras receitas, no montante de R$ 79 milhões, do dia 10 de janeiro de 2007 para 31 de dezembro de 2006, conforme pode ser constatado no RCE às páginas 55/56. Esse procedimento é vetado pela Lei 4.320 (art. 35) que dispõe que “pertencem ao exercício financeiro as receitas nele arrecadadas”. Os técnicos do TCE apontam a incoformidade na página 57 do RCE:

“A Constituição Federal no artigo 24 inciso II, estabelece que compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre matéria orçamentária, cabendo a União estabelecer regras gerais e aos Estados e Distrito Federal tratar das especificidades da matéria.
O Estado do Pará não acolheu os procedimentos estabelecidos pela portaria da STN, visto que a lei estadual nº 6.771, de 21-7-2005 - Lei de Diretrizes Orçamentárias para o exercício de 2006, no inciso I do art. 32 estabelece que as receitas orçamentárias dos órgãos, fundos e entidades integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social devem ser registradas no SIAFEM no mês em que ocorrer o respectivo ingresso, conforme segue:
Art. 32. As receitas e as despesas orçamentárias dos órgãos, fundos e entidades integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social devem ser registradas no SIAFEM, por ocasião da sua arrecadação e liquidação, respectivamente, o observando, obrigatoriamente, as seguintes peculiaridades:
I - receita - no mês em que ocorrer o respectivo ingresso;
Existindo norma estadual disciplinando a matéria, não estava o Governo do Estado obrigado a adotar o procedimento contido na portaria nº 447/02. Sobretudo, porque, sendo a mesma ato administrativo normativo não tem força de lei formal e nem pode se sobrepor a ela.
Portanto, infere-se que a prática adotada pelo Governo Estadual de utilização do procedimento da portaria 447/02, no exercício de 2006, além de apresentar-se contraria a referida norma legal, fere o princípio do equilíbrio fiscal, haja vista que, este fato prejudica a uniformização de procedimentos, afetando a execução orçamentária do ano de 2007, uma vez que parte das transferências recebidas já foi contabilizada em 2006...”.

Esse procedimento ilegal foi seguido de outro, claramente condenável na medida em que compromete o orçamento do governo seguinte com dividas contraídas pelo governo anterior. Nos referimos ao expediente utilizado em 2006 de cancelamento de empenhos referentes a despesas ocorridas sem a devida cobertura financeira, as quais foram canceladas em 2006 para serem pagas com recursos de 2007, sob a forma de Despesas de Exercícios Anteriores (DEA).

Os técnicos do TCE apontam essa ilegalidade e na página 78 do RCE registram:

“Em relação à execução da despesa orçamentária do Poder Executivo, mediante consulta na base de dados do SIAFEM/PA, detectou-se expressiva ocorrência de anulações de liquidação no exercício de 2006, registradas mediante uso do evento de código 525214”, no montante de R$ 299,4 milhões, conforme quadro sintético contido na referida página do relatório.

Na página 81 o Relatório de Contas explicita que as referidas “anulações de liquidação registradas no exercício não decorreram, tão-somente, de erros e/ou irregularidades. Trata-se de cancelamento do registro de despesas regularmente processadas, fato comprovado pelo pagamento em DEA, nos elementos e aos fornecedores indicados, no exercício em curso”.

Continua o Relatório na página 82 e seguintes:
“A obrigação assumida pela Administração frente aos credores decorre do efetivo fornecimento dos materiais adquiridos e da prestação dos serviços contratados. No caso das obrigações patronais, o fato gerador é a competência a que se refere o gasto. No caso de bens, a entrega dos mesmos. Quanto aos serviços, a data de realização. Portanto, estas despesas são afetas ao exercício segundo estes critérios.
Vale ressaltar que a liquidação não ocorre no momento de seu registro pela contabilidade, mas sim pela ocorrência dos fatos. O registro contábil é o mero reconhecimento dos fatos.”

A tabela comparativa entre o anos de 2005 e 2006 referente a despesas liquidadas pelo Poder Executivo, exposta na página 81 do RCE, talvez possibilite alguma luz quanto as dividas herdadas pelo governo Ana Júlia do governo anterior, inclusive valores referentes a concessionária de energia. Os dados do SIAFEM mostram que em 2005 as despesas liquidadas referentes a serviços de telefonia e eletricidade, nas rubricas de combustível, INSS e Correios e Telégrafos, totalizou R$ 154,8 milhões, enquanto em 2006 o montante totalizado foi de apenas R$ 49,1 milhões, portanto muito a menor, o que possibilita ensejar que as reclamações que o atual governador faz tão efetiva e corretamente quanto as dividas herdadas, também foram feitas pela então governadora Ana Júlia.

Trocando em miúdos: para fechar as contas de 2006 e apresentar a mídia local sua aparência de construtor e defensor do equilíbrio fiscal e das contas governamentais, o atual governador deixou rastro muito visível, sendo que o Relatório do TCE explicitou os problemas, o que torna o atual discurso governamental de “herança maldita” mais um componente do discurso eleitoral bem feito e que levou o udenismo psdebista novamente ao governo estadual, porém nada além disso. Os números podem ser torturados até confessarem o que se quer, porém mesmo para torturar números existem regras, e que estão bem explicitadas na Lei Federal 4320/64.

O atual Secretário da Casa Civil, em entrevista concedida ao atencioso Ronaldo Brasiliense (“O Liberal”, 26/12/2010) afirmou que o “governador não promete milagres”. O que nos parece, como antes já expusemos (conferir postagem “Duas entrevistas e um discurso prévio: há algo a encobrir”, PD 27/12/2010), que as diversas manifestações governamentais buscam construir justificativas prévias para possíveis fatos futuros: arrocho salarial do funcionalismo público e o protelar de obras e extinção de políticas públicas desenvolvidas pelo governo anterior.

Vamos acompanhar os números e os atos do udenismo psdebista!
















terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Para Nossa Belém

Nossa homenagem a "Jovem Cidade Morena" nos seus 395 anos:



Por Zé Lins

INUNDAÇÃO (I)
Chove copiosamente sobre Belém,
alagando as almas
inundando desejos,
Chove sofregamente
numa cidade triste,
desfazendo aos poucos velhos quereres,
contradizendo antigas expectativas,
deixando o rastro alagado de ruas, quintais e bocejos sonolentos.


Chove lividamente sobre a baixada de homens gentis.
Cobre as camas, desfaz os leitos, sobrepôs angústias.
Eis um gole de cachaça, branquinha boa que penetra a alma e
aquece o corpo, recebe a enxurrada com a dose de fervor necessária.



A rua encoberta se desfaz e vira o que sempre foi: um igarapé oculto,
forma desfeita pelas mãos descuidadas e necessidades malditas dos maltrapilhos humanos.


Os quintais ao soçobrarem, se enchem e transbordam.
Resta, apenas, o grito comprido do "prego" encharcado no alto do biribazeiro.






A chuva alimenta o pega-pega dos moleques de rua,
na bola suada, na pira danada, na alegrada das brincadeiras
da água vadia.

Chove intensamente na nossa cidade triste.


INUNDAÇÃO (II)

Amanheceu um sol forte,
farta claridade, pouca suavidade.
Meus olhos escancarados cintilavam
de tanta luz,
na rua cachorros sorriam,
homens vadios,
velhos senis.

Meus olhos escancarados se curvavam,
crianças sem dentes sorriam suas bocas nuas,
bêbados crentes recitavam,
pastores descrentes oravam,
meus olhos encantados sorriam.


Na bodega aberta,
com a cachaça posta,
meus olhos atentos lamentavam
a luz recaída.
Fragmentadas as pupilas por fim esvaneceram.





Belém Morena boa
De olhos rasos
Lábios sedosos
Tuas chuvas são nossas lágrimas de alegria!

Capitalismo e o Novo Imperialismo: Elementos de análise a partir de Harvey e Hobsbawm

Por José Trindade (Professor da UFPa)


A indicação dos fatores que definem as sociedades capitalistas modernas desde o século XVIII podem ser focados em três componentes: i) a acumulação de riqueza sob a forma de valor-capital, seguindo um princípio de “motor-perpétuo”;ii) porém regrado pelas crises sistêmicas e periódicas e iii) pelas ações coercitivas, controladoras e ativistas do Estado capitalista.

A acumulação de capital se processa por duas vias historicamente convergentes: a concentração e a centralização da riqueza socialmente produzida. O capital constitui uma relação social básica, cuja forma de expressão se dá pelo controle do agente capitalista sobre os meios de produção e apropriação da riqueza gerada pelo trabalhador no processo produtivo. A riqueza gerada é concentrada e controlada por esse agente social, o que possibilita crescente disponibilidade de valor-capital em suas mãos.

Na medida em que se processa a concentração de riqueza via acumulação, essa crescente disponibilidade possibilita o efeito atrator e centralizador sobre outras massas de riqueza produzidas em outros territórios ou mercados capitalistas dispersos ou sob controle de outros empresários, porém de menor potencial ou capacidade de atração ou concorrência capitalista.

Convém fazer breve parentese: no capitalismo, a principal relação social é a de produção e apropriação da mais-valia (lucro) fundada em relações contratuais entre o capitalista (comprador da mercadoria força de trabalho) e o trabalhador (vendedor da mercadoria força de trabalho). Entre eles trava-se uma troca de equivalentes no processo de circulação de mercadorias: a força de trabalho, mercadoria que é a única propriedade do trabalhador, é comprada pelo capitalista, que oferece em troca a forma monetária salário, o preço da mercadoria força de trabalho. Essa aparente igualdade na forma do trato jurídico torna a relação salarial condição central tanto da reprodução econômica do sistema, quanto da sua configuração política.

Do mesmo modo como a acumulação de riqueza na forma de capital requer o movimento continuo de emprego de força de trabalho e uso de meios de produção (máquinas e ferramentas) para o processamento de novas mercadorias com vistas a obtenção de lucro, o capitalismo requer um Estado regulador e coercitivo sobre as relações sociais. O Estado cumpre a função central de controle e legitimação da ordem capitalista, principalmente ao encobrir as relações de apropriação da mais-valia e justificando positivamente a propriedade privada dos meios de produção, sob a forma de aparente universalidade e igualdade dos direitos de propriedade.

As crises econômicas são sistêmicas e não eventos ocasionais como propalam alguns. Podemos ponderar que o principal aspecto acionador das crises é a chamada superprodução de capital, ou seja, a crescente capitalização da produção que gera contraditoriamente uma massa crescente de mercadorias que não encontram o porto seguro da venda (realização). Esse processo gera a interrupção do ciclo de crescimento com o decorrente declínio da taxa de lucro e estabelecimento de uma série de pontos de estagnação e declínio no mercado.

A retomada da análise do desenvolvimento do capitalismo e, especialmente, de suas contradições, crises e ações do Estado constituem a base da análise de dois livros de grande importância para o entendimento dos acontecimentos econômicos e políticos recentes ao nível internacional e brasileiro. Os trabalhos de David Harvey e Eric Hobsbawm, por mais que ambos publicados na década passada (2004 e 2007, respectivamente) constituem textos problematizadores e, até certo ponto, elucidativos do nosso atual complexo presente-futuro.

Harvey, em seu “O Novo Imperialismo”, assinala que certas características da sociedade estadunidense (EUA), tal como o “inflexível individualismo competitivo”, soma-se aos padrões de domínio econômico, político e militar dessa potência imperial, para impor o atual perigoso jogo de domínio internacional.

Harvey, que é professor da City University of New York, bebe em Marx para compreender como a acumulação capitalista produz as modernas formas de domínio imperialista, denotando as diferenças entre o imperialismo britânico (1814/1914) e o que ele denomina de Novo Imperialismo Norte-Americano. O desiderato desse novo imperialismo para ser entendido necessita da compreensão de como interagem a acumulação interminável de propriedade e a acumulação interminável de poder político. Essa interação foi inicialmente identificada por Hanna Arendt e foi complementada pelas análises de Arrighi em torno da história comparada das diferentes hegemonias globais.

O capital monetário, a capacidade produtiva e a força militar são os pilares em que se apóia a hegemonia no capitalismo. Vale reforçar que a consolidação do poder político burguês no âmbito dos Estados europeus foi uma precondição necessária a uma reorientação territorial segundo os requisitos da lógica capitalista. Harvey observa que a partir do final do século XIX, os EUA passam gradualmente a mascarar o caráter explicito das conquistas e ocupações territoriais sob a capa de uma universalização não espacial de seus valores, discurso que culminaria na atual retórica da globalização. Neste ponto temos uma importante convergência entre Harvey e Hobsbawm.

Para o historiador inglês Eric Hobsbawm, também se tem a universalização de certos padrões econômicos e culturais enquanto cerne de construção da hegemonia internacional estadunidense. Hobsbawm, porém, enfatiza que o mundo por ser demasiado grande, complexo e plural inviabiliza qualquer possibilidade de que os Estados Unidos, ou qualquer outra potência singular possam estabelecer um controle duradouro, mesmo que o desejassem sobre a economia mundial. O questionamento então caminha para a inevitável indagação de como se consolidará a hegemonia estadunidense ou se a atual crise já demarca o campo do devir do imperialismo norte-americano.

Os recentes episódios internacionais econômicos e políticos parecem reforçar a percepção de Hobsbawm. A ausência de autoridades globais não consegue ser substituída pela presença de uma única superpotência, com o agravante, como mostra o recente episódio da crise cambial internacional, que a adoção de medidas de auto-proteção por parte desta superpotência enfraquece os elos de convergência hegemônica e o aparecimento de crescentes vozes destoantes entre sub-potências regionais.

O autor de “Globalização, Democracia e Terrorismo”, denota que quatro movimentos estariam por detrás das tentativas de reviver “um império mundial” (o primeiro teria sido o Britânico): i) o acelerado processo de globalização desde a década de 1960, contudo com conseqüências deletérias de elevação ou agravamento das desigualdades econômicas e sociais entre e intra-nações, além da incapacidade, até aqui, de efetivação de uma globalização da política; ii) o colapso do equilíbrio internacional de forças oriundos da Segunda Guerra Mundial, especialmente o desmantelamento da antiga URSS e o desaparecimento de forças divergentes necessárias ao equilíbrio do sistema de forças; iii) a crise dos Estados nacionais soberanos e/ou a fragilização desses agentes frente outros agentes de acumulação, tais como as mega transnacionais; iv) o regresso de catástrofes humanas maciças e a presença de medo generalizado, seja na forma mais simples de violência causada por disputas banais, por exemplo, a violência juvenil, até formas como a expulsão de populações e o genocídio.

Por mais que os autores não tenham se detido na análise da crise recente do capitalismo central, mas no geral apontam para desdobramentos bastantes sérios e a necessidade de compreensão e ação por parte da esquerda. O agravamento da crise estadunidense, como assim parece estar dada, tem levado ao avanço do discurso fascista tanto nos EUA, quanto na Europa, como mostra o recente episódio no Arizona envolvendo o baleamento da deputada da esquerda Democrata Giffords e um aparente “maluco”, porém claramente influenciado pelo discurso fascista do “Tea Party” e de sua líder Sarah Palin. Mesmo no caso brasileiro, as recentes eleições mostraram que os setores mais conservadores das elites nacionais parecem bastante dispostos a sectarização e direitização do discurso e da ação.

As análises em foco concluem com o impasse quanto aos desdobramentos da economia e sociedade estadunidense, do mesmo modo quanto as incertezas que assopram sobre o desenvolvimento internacional. Da nossa parte nos parece que as condições brasileiras de se impor soberanamente e colaborar com uma saída propositiva, que substitua o medo e a militarização permanente pela busca de um projeto político, econômico e social diferente, devem ser nossas metas a serem propostas e buscadas.