Espaço de debate, crônica crítica do cotidiano político paraense e de afirmação dos pressupostos de construção de um Pará e Brasil Democrático e Socialista!

Editor: José Trindade



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Resultados das Prévias do PT

As prévias petistas demonstram o vigor e a capacidade social do Partido dos Trabalhadores. O PT ao longo dos últimos trinta anos consolidou uma dupla característica: combinar um programa à esquerda com um grande apelo de massas.

A realização de prévias demonstra, novamente, o quanto o PT se diferencia das demais legendas, mesmo àquelas localizadas no campo da esquerda. O resultado das prévias, por sua vez, também demonstra que podemos caminhar com nomes fortes e plenamente capazes de brindar a sociedade belenense com um novo governo petista.




Os números da votação:
Total de Votantes: 3.745
Votos Válidos: 3.683
Puty: 1.535 ou 41,68% dos votos válidos.
Alfredo: 1.274 ou 34,59% dos votos válidos.
Bordalo: 774 ou 21,2% dos votos válidos.
Fábio: 51 ou 1,38% dos votos válidos.
Gaia: 30 ou 0,81% dos votos válidos.
Moraes: 19 ou 0,52% dos votos válidos.

O segundo turno entre Puty e Alfredo será no dia 05 de fevereiro.

Por uma Belém Democrática e Cidadã!

domingo, 22 de janeiro de 2012

Votação Histórica: Belém Democrática e Popular!

O Partido do Trabalhadores fez eleição histórica em Belém. Ao construir intenso debate sobre o futuro de Belém, o PT demonstra a maturidade e a percepção de que somente um partido democrático e popular poderia fazer. 

Nas eleições de hoje, o PT constrói a Belém de amanhã e desafia a direita em suas diversas formas. Os militantes petistas estiveram presentes nas urnas, mostraram a vivacidade partidária e agora rumamos para garantir uma Belém Democrática e Popular!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Locais de Votação e Listagem: Rumo a Vitória - Por uma Belém Democrática e Popular!


O PT segue rumo a reconquista da prefeitura municipal de Belém. Ao longo dos últimos vinte dias um intenso debate nas redes sociais e nas unidades administrativas possibilitou vislumbrar que a força do Partido dos Trabalhadores é superior a quaisquer insucessos eleitorais havidos.

Temos certeza que a escolha acertada de realização das prévias possibilitou a demonstração que o PT não pode e não deve se amesquinhar sua capacidade de mobilização e a força de sua militância é surpreendente, Belém necessita de governo e a gestão Democrática e Popular possibilitará construir um novo futuro para nossa cidade.

Divulgamos abaixo a lista de endereços dos locais de votação e disponibilizamos a lista completa de afiliados e seu local de votação no link: Lista de Filiados Quitados com Local de Votação.


RUMO A VITÓRIA EM OUTUBRO: POR UMA BELÉM DEMOCRÁTICA E POPULAR!

Urna 1/2/3 – DABEL
RESTAURANTE AO LADO DO BANCO DO BRASIL - SÃO BRAZ
RUA DEODORO DE MENDONÇA Prox. ao terminal rodoviário na av.  Cipriano Santos

Urna 4/5 - DABEL
JUCI'S RECEPÇÕES (RUA DR. ASSIS, 369. EM FRENTE A ESCOLA DO CARMO

Urna 6/7 - DABEN
ASSSOCIAÇAÕ DE MORADORES SANTA LUZIA (INDEPENDENCIA ESQUINA COM A SÃO PEDRO)

Urna 8/9 - DABEN
BROTINHO'S BAR  (ROD. TAPANÃ PROX. A ESCOLA MARCIO AYRES)

Urna 10/11 - DABEN
RESIDENCIAL NATALIA LINS (AUGUSTO MONTENEGRO)

Urna 12/13/14/15 – DAENT
CCNOMA (RODOVIA AUGUSTO MONTNEGRO)

Urna 16/17 – DAGUA
Ginasio de Educação Física - Marco
Holl do Ginásio - Av. João Paulo II Prox a Vileta

Urna 18/19/20   - DAGUA
ASSOCIAÇÃO MOANARA           GUAMÁ
(RUA 25 DE JULHO PROX. Barão  de Igarapé Miri em frente a Igreja Quadrangular)

Urna 21/22 - DAGUA
ESCOLA MARIO BARBOSA (PERIMETRAL PROXIMO AO SÃO DOMINGOS) - Terra Firme

Urna 23/24/25 - DAGUA
SEDE DO SÃO DOMINGOS (ROBERTO CAMELIER, ENTRE: RUA FERNANDO GUILHONT E RUA DOS TIMBIRAS) Jurunas

Urna 26/27/28 - DAGUA
SALÃO PAROQUIAL IGREJA SÃO JUDAS TADEU
AV. ALCINDO CACELA, ENT. BERNARDO SYÃO E TV. APINAGÉS – CONDOR

Urna 29/30 - DAICO
ESCOLA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
(RUA 8 DE MAIO COM AUGUSTO MONTENEGRO) – AGULHA

Urna 31 - DAMOS
ESCOLA PAULO FREIRE
(RUA 15 DE NOVEMBRO, 365. PROX. AGENCIA DISTRITAL DE MOSQUEIRO – VILA

Urna 32 - DAMOS
Casa de Show Premier 3D - CARANANDUBA
Rua Lalo Mota s/no. Antiga Igreja Universal

Urna 33  - DAOUT
PONTO DE  CULTURA  COLIBRI  - OUTEIRO

Urna 34  - DAOUT
INFOCENTRO FILOMENA LOPES   - BRASILIA

Urna 35/35/37/38  - DASAC
Colégio Catarina Laboré - Ginásio 
Av. Sendor Lemos entre Alferes Costa e Perebebui

Urna 39/40/41/42  - DASAC
MARI RECEPÇÕES  - PEDREIRA
(ANTONIO EVERDOSA. ENTRE: ESTRELA E TIMBÓ

Urna 43/44/45  - DASAC
CENTRO COMUNITÁRIO SÃO FRANCISCO DE ASSIS
PASS. DAS FLORES




sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O Mundo Deve Mudar


Por José Trindade

O capitalismo enfrenta sua mais grave crise dos últimos 60 anos. A rápida escalada em que os desencontros da crise de superprodução em alguns setores e países, aliada a financeirização e a crescente desregulação econômica, produz quadro clínico no qual o “enfermo” parece cada vez mais caminhar-se para uma septicemia, quadro generalizado de infecção e no qual as doses de fortíssimo antibiótico parece não fazer efeito.



Nos últimos cinquenta anos o capitalismo aprendeu com as crises do início do século, em geral buscou desenvolver uma armadura institucional que, em diferentes graus conforme o país possibilitou o que o professor Eric Hobsbawm denominou em seu esplêndido “Era dos Extremos” de “Golden age”, uma idade de ouro do capitalismo e para certa parte da humanidade. Conforme o próprio Hobsbawm não mais que um terço ou talvez menos da humanidade pode de fato “curtir” plenamente esse período.

Essa idade do ouro entra em crise já no final do século XX, talvez a “quente” década de 1970 seja o primeiro momento de “surtos” recorrentes de crise capitalista. Certa teoria de “saltos críticos” pode ser a explicação. Na medida em que a “armadura institucional” pode ter rupturas, ou o que talvez explique melhor, a rigidez produzida foi questionada por parte importante das “classes burguesas”, especialmente os segmentos vinculados ao andar das finanças.

O parcial desmonte ou fissura da “armadura institucional” recolocou em novos níveis e com formato distintos as crises clássicas de superprodução e inaugurou, desde então, novas formas de crise, desde a centrada nos fenômenos de desvalorização monetária (décadas de 70/80) até as crises centradas no chamado capital fictício, ou seja, referentes à desvalorização de títulos de diferentes origens. Aspecto fundamental é que o aprofundamento do atual tipo de crise leva a questionar a própria base da pirâmide de créditos, onde se encontram os títulos da divida pública das economias capitalistas centrais.

Importante livro foi lançado neste clima de crise capitalista global: Como Mudar o Mundo – Marx e o Marxismo, do prof. Eric Hobsbawm, trabalho de fôlego que identifica na construção teórica marxista momento privilegiado de análise racionalista do desenvolvimento social humano.

Hobsbawm possibilita aos leitores um breve passeio pelo central da análise marxista, demonstrando não somente a atualidade do “demônio de Trier”, como também confirmando, com a história de que “convém duvidar de tudo”, o lema predileto de Marx.

Os textos de Hobsbawm são como muitos reconhecem magnificamente bem escritos e, ponto notável, a tradução de Garchagen é magnífica. Vale reforçar dois capítulos, a meu ver, especialmente interessantes: o capítulo 7 “Marx e as formações pré-capitalistas”, especialmente interessante para a compreensão das transições entre “modos de produção”, algo importante a se aprender da história é como a humanidade permanentemente “reinventou” seu processo reprodutivo econômico e social. 

Por outro, o capítulo 12 é o único texto dedicado exclusivamente a um teórico pós-Marx: Antônio Gramsci. O autor italiano foi, segundo Hobsbawm, um “clássico” per se, sendo sua leitura se faz imprescindível porque “entre os teóricos marxistas, foi ele quem percebeu com maior clarividência a importância da política como uma dimensão especial da sociedade e porque ele compreendeu que a política envolve mais do que o poder”. 

Nestas épocas de definições imprecisas e de capitalismo moribundo, mais do que nunca convém estudar a história, melhor ainda sob as lentes telescópicas de Marx.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Prévias do PT: um balanço inicial e um pouco de história

Por José Trindade

Estive pessoalmente presente em dois dos sete encontros distritais do Partido dos Trabalhadores de Belém, especificamente participei dos encontros do DAENT (Entroncamento), onde me encontro filiado e no DAGUA (Guamá).

A escolha de participação nesses dois encontros não foi aleatória: são os dois maiores distritos e onde o possível grau de polarização e efervescência do debate seriam maiores. De fato os debates foram ricos, por mais que haja sempre certa impressão que desaprendemos um pouco de fazer política direta, com participação “na veia” de militantes e o debate mais acirrado, mesmo que fraternal.

Em 1985 o PT do Pará e de Belém estava dando seus primeiros passos, isso após um processo de construção no início da década de 1980 bastante tumultuados. Naquele ano de 1985 uma das maiores correntes de esquerda até então no interior do antigo MDB (Movimento Democrático Brasileiro), a contrassenha do partido governamental Arena (Aliança Renovadora Nacional), que com a reforma partidária de 1979 tinham se convertido respectivamente no PMDB e PDS, decidiu coletivamente entrar na construção do PT.

No caso de Belém o ingresso do PRC (Partido Revolucionário Comunista) no PT, assim como a fusão de grupamentos de tendências da assim chamada “esquerda revolucionária” implicava no fortalecimento desses grupamentos que reivindicavam a tradição marxista na estrutura local do Partido dos Trabalhadores. Vale observar que o PRC e o MCR (Movimento Comunista Revolucionário) passaram a ter grande influência no PT municipal.

Em 1985 o intenso debate na “Pré-convenção”, realizado naquele ano no ginásio de educação física da UFPA com a presença de mais de mil militantes, apontou a primeira chapa petista realmente capaz de disputar a prefeitura de Belém. O então vereador Humberto Cunha foi nosso candidato, tendo um programa que pela primeira vez fazia referência à construção de um projeto Democrático e Popular.

Desde aquele ano até 1995 quando o PT elege pela primeira vez um gestor municipal, o fortalecimento da capacidade partidária foi grande, sendo que neste interim passamos por experiências importantes como a única greve realmente geral que se teve no Brasil, em 1987, as experiências de mobilização por direitos sociais na Constituinte de 1987 e a construção de uma Constituição que por mais que ainda limitada, porém a mais avançada da história brasileira.

O PT entrou na década de 1990 como o único partido com programa nacional, disputando e quase elegendo Lula em 1989. Em Belém, o PT passa a deter forte influência, com a eleição de vereadores e deputados estaduais com base na capital do estado. Desde meados da década de 1990 o partido passar a convergir percentual expressivo do eleitorado metropolitano, ficando nas últimas quatro eleições sempre com uma média superior a 18% do eleitorado efetivo.

As prévias desse ano refletem três aspectos:

i) Reflete a derrota eleitoral de 2010, o que obviamente colocou com seu resultado um maior fracionamento dos grupos de poder partidário e o ressurgimento de novas proposições;

ii) Reflete a disputa entre posições mais autocráticas, aquelas que eram, por exemplo, contrárias às prévias, e as posições mais liberais e estruturantes do partido;

iii) Finalmente, “bust no last”, reflete um “grande chacoalhamento” da militância e das direções partidárias, não no sentido do importunamento e sim da busca de alternativas e de recolocação do partido pós-2010.

Vale, por último, algumas observações em relação ao processo como um todo.

Primeiramente, a oportunidade, seja no período, seja na rapidez com que foi organizado, seja pelo intenso debate gerado nas redes sociais e no campo real nos distritos administrativos, cumpriu papel insigne de demonstração de vigor partidário e de posicionamento social do PT de Belém.

Segundo, a capacidade demonstrada pelas diversas correntes de aderirem ao esforço comum, demonstra, antes de tudo, uma lógica de unidade partidária que “mete medo” e pontifica respeito às três direitas organizadas no Pará e em Belém (PSDB/DEM/PSD, PTB/PR, PPS).

Definitivamente está colocada ao PT a tarefa de retomar Belém do atraso e do “balcão de negócios” da direita mafiosa, e ser a força chave para dirigir a frente de esquerda que irá novamente governar a Cidade das Mangueiras!

Extremos

Nesses dias de intensa perplexidade no centro das sociedades capitalistas e de uma certa condicionalidade fortuita nas sociedades periféricas, os Extremos parecem surgir em confrontos perigosos. Zé Lins interpreta os extremos em termos temporais. 
Bom final de semana a todos!



Por Zé Lins

Estive pensando bem alto em extremos,
indagava sobre a distância e os limites das ideias.

Não há proximidades,
tão pouco pessoalidades,
Há Extremos.

Vozes que ecoam em distantes badaladas,
visões que revoam em fortuitas imagens,
pegadas de incontáveis anos-luzes.

Extremos em colheitas impróprias!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Carta às esquerdas




O PT é o maior Partido de Esquerda da América Latina, sendo que ao longo dos últimos trinta anos tem dado contribuições expressivas à conformação da pálida democracia brasileira. Talvez fosse importante qualificar o adjetivo pálido e o seu uso, mas isso fica para um próximo artigo nosso.

Vale reforçar que o PT de Belém se encontra em pleno exercício de um processo extremamente vital para sua democracia interna: as prévias se reverteram em importante momento de “reencontro partidário”, conformando momento impar para construirmos real alternativa ao governo de Belém e consolidarmos a construção de um Partido Democrático e Socialista.

Publicamos artigo de Boaventura de Sousa Santos que muito tem haver com o PT e seu papel futuro no Brasil e no Mundo.

Quarta carta às esquerdas

Por Boaventura de Sousa Santos

As divisões históricas entre as esquerdas foram justificadas por uma imponente construção ideológica mas, na verdade, a sua sustentabilidade prática—ou seja, a credibilidade das propostas políticas que lhes permitiram colher adeptos—assentou em três fatores: o colonialismo, que permitiu a deslocação da acumulação primitiva de capital (por despossessão violenta, com incontável sacrifício humano, muitas vezes ilegal mas sempre impune) para fora dos países capitalistas centrais onde se travavam as lutas sociais consideradas decisivas; a emergência de capitalismos nacionais com características tão diferenciadas (capitalismo de estado, corporativo, liberal, social-democrático) que davam credibilidade à ideia de que haveria várias alternativas para superar o capitalismo; e, finalmente, as transformações que as lutas socias foram operando na democracia liberal, permitindo alguma redistribuição social e separando, até certo ponto, o mercado das mercadorias (dos valores que têm preço e se compram e se vendem) do mercado das convicções (das opções e dos valores políticos que, não tendo preço, não se compram nem se vendem). Se para algumas esquerdas tal separação era um fato novo, para outras, era um ludíbrio perigoso.

Os últimos anos alteraram tão profundamente qualquer destes fatores que nada será como dantes para as esquerdas tal como as conhecemos. No que respeita ao colonialismo as mudanças radicais são de dois tipos. Por um lado, a acumulação de capital por despossessão violenta voltou às ex-metrópoles (furtos de salários e pensões; transferências ilegais de fundos colectivos para resgatar bancos privados; impunidade total do gangsterismo financeiro) pelo que uma luta de tipo anti-colonial terá de ser agora travada também nas metrópoles, uma luta que, como sabemos, nunca se pautou pelas cortesias parlamentares. Por outro lado, apesar de o neocolonialismo (a continuação de relações de tipo colonial entre as ex-colónias e as ex-metrópoles ou seus substitutos, caso dos EUA) ter permitido que a acumulação por despossessão no mundo ex-colonial tenha prosseguido até hoje, parte deste está a assumir um novo protagonismo (India, Brasil, Africa do Sul, e o caso especial da China, humilhada pelo imperialismo ocidental durante o século XIX) e a tal ponto que não sabemos se haverá no futuro novas metrópoles e, por implicação, novas colónias.

Quanto aos capitalismos nacionais, o seu fim parece traçado pela máquina trituradora do neoliberalismo. É certo que na América Latina e na China parecem emergir novas versões de dominação capitalista mas intrigantemente todas elas se prevalecem das oportunidades que o neoliberalismo lhes confere. Ora, 2011 provou que a esquerda e o neoliberalismo são incompatíveis. Basta ver como as cotações das bolsas sobem na exata medida em que aumenta desigualdade social e se destrói a proteção social. Quanto tempo levarão as esquerdas a tirar as consequências?

A direita só se interessa pela democracia na medida em que esta serve aos seus interesses. Por isso, as esquerdas são hoje a grande garantia do resgate da democracia. Estarão à altura da tarefa? Terão a coragem de refundar a democracia para além do liberalismo? Uma democracia anticapitalista ante um capitalismo cada vez mais antidemocrático?

Finalmente, a democracia liberal agoniza sob o peso dos poderes fáticos (Máfias, Maçonaria, Opus Dei, transnacionais, FMI, Banco Mundial) e da impunidade da corrupção, do abuso do poder e do tráfico de influências. O resultado é a fusão crescente entre o mercado político das ideias e o mercado econômico dos interesses. Está tudo à venda e só não se vende mais porque não há quem compre. Nos últimos cinquenta anos as esquerdas (todas elas) deram uma contribuição fundamental para que a democracia liberal tivesse alguma credibilidade junto das classes populares e os conflitos sociais pudessem ser resolvidos em paz. Sendo certo que a direita só se interessa pela democracia na medida em que esta serve os seus interesses, as esquerdas são hoje a grande garantia do resgate da democracia. Estarão à altura da tarefa? Terão a coragem de refundar a democracia para além do liberalismo? Uma democracia robusta contra a antidemocracia, que combine a democracia representativa com a democracia participativa e a democracia direta? Uma democracia anticapitalista ante um capitalismo cada vez mais antidemocrático?

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).