Espaço de debate, crônica crítica do cotidiano político paraense e de afirmação dos pressupostos de construção de um Pará e Brasil Democrático e Socialista!

Editor: José Trindade



sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Últimas Notas sobre Federalismo, Déficit e Estado antes do Plebiscito


Quase encerrado a atual contenda política no Pará cabe algumas reflexões e uma necessária ponderação sobre o futuro, coisa que muitos têm feito sob a forma condescendente do “não seremos mais os mesmos...” e outras pérolas.

Comodamente a maior parte dos ditos formadores ou formuladores de opinião ficaram quietos, talvez soubessem ou percebessem que o projeto mal formulado da divisão e os interesses de uma elite “belenense” que, desde sempre, vive estabelecida sobre o rentismo do Estado, prevaleceria na Região Metropolitana de Belém e, portanto, imporia seu regramento aos demais.

Óbvio que formas diversas de dogmatismos também seriam muito fáceis de serem tratados sob o manto do “ligado ou desligado”, “sim ou não”, “Payssandu ou Remo”, e outras formas a serem exploradas por aqueles que acham que o mundo é linear ou plano.

Algumas criticas procedentes referiam-se ao projeto mal formulado de espaços territoriais ou de ausência de proposições administrativas, muito bem!

Vejam vocês, o pretenso “trabalho científico” feito pelo Ipea nada mais foi que uma peça requintada de neoliberalismo: tudo se explica pelo “custeio” e pelos limites “deficitários” dos novos estados.

A linha de déficit pode ser definida em conformidade a quatro aspectos:

 i) Podem-se utilizar critérios “abaixo ou acima da linha”, ou seja, a depender das entradas de receitas ou saídas de despesas e, ainda, pela variação da dívida pública. Com base nesses aspectos, a depender de como se façam as medidas, estados como Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso são e serão deficitários;

 ii) Caso se considere o ajuste patrimonial ou não, ou seja, pode-se considerar a divida liquida do setor público (DLSP) considerando ou não as variações, ganhos ou perdas patrimoniais do governo. Assim, caso se considere certas participações patrimoniais pode-se ter ou não um ente (Município, Estado ou União) deficitário;

 iii) Caso se considere “déficit nominal”, ou seja, “gastos totais subtraídos das receitas totais”  ou “déficit primário”, ou seja, que considera somente gastos e receitas “não financeiras”;

 iv) Caso se considere “déficit operacional”, ou seja, subtraindo-se os juros da divida pública ou “déficit de pleno emprego”, com suposições de operação de capacidade produtiva plena da economia, ou seja, com baixo desemprego médio.

Para que tanto “economês” vocês devem estar se indagando. Pois é, quero mostrar que a velha máxima da “tortura dos números” também é verdadeira para definições tão amplas e vazias ou neoliberais quanto as de que o “Estado X já nasce deficitário”.

Bem, talvez agora caiba somente à necessária critica ao Ipea e ao Idesp: argumentações neoliberais são, no mínimo, fora de época no atual cenário de crise do capitalismo.

Defender uma posição com base no argumento de não existência ou não intervenção do Estado, ausência de políticas públicas porque elas aumentam o custeio, parece ser um contrassenso ou, talvez, uma afirmação ideológica que “não nos serve mais”, como o refrão de uma antiga música do Belchior bem expressava.  

Curiosamente saímos do atual debate mais pobre que entramos, e não por termos dividido ou mantido o Pará unido. O debate central de políticas de desenvolvimento, de limites federativos, capacidade de interlocução com a União e outras unidades federativas, nada disso foi tratado ou pior foi subjugado pela noção de o “futuro a Deus pertence” e que o agora nos basta à mera e pouco inteligente disputa entre o “ligar e o desligar” de uma falsa regionalidade.

As elites ou classes dominantes locais continuarão sua eterna busca pela apropriação rentista do Estado, não cabendo o debate sobre que espaço nacional quer ocupar ou que sociedade estadual quer criar.

Até quando?!!!!


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

...E a ALPA virou mais um alpiste tucano...



Aqui jaz mais um projeto!

Em 19 de agosto passado publicamos o texto abaixo. Somente agora, em dezembro, a população paraense recebe a versão oficial da Companhia Vale e os "não sei de nada" do atual desgoverno paraense.

A imprensa local prefere tripudiar da inteligência popular, defender a Companhia Vale e o arremedo  de governo, ao invés de cobrar uma posição dos referidos agentes privado e público.





Segue o texto publicado originalmente em 19/08/2011.

O quadro do atual Pará é o seguinte: o governo Jatene permanece na letargia natural e no denuncismo para garantir por “WO” seu segundo mandato antecipado; na Alepa, por seu turno, a incapacidade de debate dos temas importantes ao Pará “unificado ou não” ficam congelados pela apuração diária da corrupção e, por outro, os senhores do poder econômico  paraense ficam retidos em suas pequenas paróquias.


Enquanto isso as decisões mais importantes vão sendo tomadas a revelia desses atores locais e mesmo conquistas que foram conseguidas as duras penas nos últimos anos são objeto de questionamentos e, caso não se coloque a barba de molho e se privilegie, de fato, os ditos interesses estaduais, o Pará “unificado ou dividido” ficará novamente a ver navios.

Vocês devem estar se indagando do que se trata, vamos aos fatos.

Em meados de julho os dirigentes do Instituto Aço Brasil (IABr), entre os quais o empresário Jorge Gerdau, estiveram reunindo com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Sr. Luciano Coutinho, o assunto eram os “estímulos do Planalto à Vale para montar siderúrgicas no país. Esses projetos são vistos com viés político e sem bases mercadológicas e econômicas (rentabilidade do capital investido)” (Valor Econômico, 22, 23 e 24/07/2011, pg. B8).

Para bom entendedor um segundo basta diz o ditado popular. O referido IABr ressalta no jornal Valor Econômico ainda outro aspecto: “os projetos ALPA (Aços Laminados do Pará)  e CSU (ambos da Companhia Vale), ainda não contam, até o momento, com sócios definidos” (Valor, 22/07, pg. B8), o que segundo o referido Instituto seria a prova de um movimento “somente de pressão política” para construção das referidas indústrias.

Alertamos aqui que a luta travada para verticalizar o processo produtivo do ferro no Pará (unido ou quebrado, não interessa), um dos frutos da luta travada pelos governos do PT (Lula e Ana Júlia), está ameaçado. Jatene e companhia são inaptos para negociar ou bater de frente com a poderosa Vale, por outro o governo Dilma enfrenta outras disputas distintas do governo Lula.

O PD13 se posiciona pela necessária pressão do PT estadual e de todas as lideranças estaduais pela construção imediata da ALPA, sabendo, como aqui já expomos, que o enorme peso do Pará na balança comercial brasileira, via exportação de ferro, é algo limitado no tempo e no espaço, necessitamos construir uma nova base industrial e a ALPA cumpre papel relevante para isso.

Porém, infelizmente novamente se poderá contemplar o “Pará ou Carajás do que pensou ter”, ou o “Pará ou Carajás do chupando o dedo”, a ALPA será um mero buraco no projeto de Distrito Industrial erguido em Marabá, e novamente podemos perder.

Ao tucanato nada importa, vivem do curto prazo e dos voos curtos, mas a nós paraenses partidos ou inteiros interessa o futuro e é fundamental exigir e pressionar pela construção da Alpa.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Márcio Pochmann no IV Seminário Amazônias

O presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) será o palestrante de abertura do IV Seminário Internacional Amazônias em Belém nesta quarta-feira (07/12). 



O Seminário Amazônias é agenda permanente do Programa de Pós-Graduação em Economia, vinculado ao Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA) da Universidade Federal do Pará. 





Pochmann fará a conferência de abertura tratando do tema "Desenvolvimento e Equidade Regional". 

A conferência do professor Pochmann se iniciará às 19hs no Auditório José Vicente Filho no Setorial Profissional do Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ). Seguem a programação restante do Seminário Amazônias, assim como da Semana Acadêmica do ICSA.





domingo, 27 de novembro de 2011

Mineração e Políticas de Desenvolvimento Local para o Município de Parauapebas no Pará

Publicamos banner referente a exposição que faremos em Brasília no Seminário Recursos Minerais & Sustentabilidade Territorial, anunciado em postagem anterior. O artigo na integra será disponibilizado em formato pdf brevemente.


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Seminário Recursos Minerais e Sustentabilidade Territorial

O Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), realizará nos dias 30 de Novembro a 1 de dezembro o Seminário "Recursos Minerais e Sustentabilidade Territorial". Durante o Seminário será lançado livro homônimo com artigos de  pesquisadores de diversos centros de estudos, inclusive da Universidade Federal do Pará.

Este Seminário reveste-se de grande importância para a economia e sociedade paraense, sendo que diversos pesquisadores do estado estarão presentes. Especificamente o editor do PD13 apresentará o artigo intitulado "Políticas de Desenvolvimento Local para Parauapebas", seguem o folder e a programação dos dois dias.



quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O Mestrado em Economia realiza mais um simpático "Café Econômico", desta feita com o Prof. Mario Amin, tratando de tema central nesses dias de "OCCUPYWALLSTREET", tratará de quanto o mercado financeiro é  de fato ou não uma ficção, estão todos convidados!



quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Amazônia é sempre região carente, não importa o país


Reproduzimos texto de articulista do Valor Econômico desta quinta-feira (17/11), o texto refere-se a divulgação dos "Objetivos do Milênio", o infográfico que segue é bastante interessante.


Por Daniela Chiaretti | De São Paulo

Não importa em qual dos nove países esteja, a região amazônica compartilha os mesmos problemas. No geral, os indicadores sociais da Amazônia estão sempre abaixo das médias nacionais e revelam defasagens crônicas. O analfabetismo está acima do limite que a Unesco define como crítico, a desnutrição atinge um quarto das crianças e a incidência de tuberculose no Peru e na Bolívia é a mais alta do mundo. Na Amazônia, as dificuldades são comuns e invadem fronteiras.

Esses dados fazem parte do primeiro grande diagnóstico da região já produzido. Trata-se do estudo "A Amazônia e os Objetivos do Milênio", elaborado por oito ONGs da América Latina e lançado ontem à noite, em Belém, durante o seminário "Cenários e Perspectivas da Pan-Amazônia", realizado pelo Fórum Amazônia Sustentável, articulação brasileira de populações ribeirinhas, indígenas e urbanas, além de empresas e sindicatos. O seminário também é realizado pela Articulação Regional da Amazônia (ARA), associação de 40 ONGs da América Latina. Pesquisadores de oito entidades fizeram o diagnóstico amazônico com patrocínio das fundações Avina e Skoll.


Na Amazônia, distribuídas pelos nove países, moram mais de 34 milhões de pessoas, diz o estudo. Há 375 povos indígenas. Essas pessoas vivem em uma área de quase 7,8 milhões de km2 ou 44% da América do Sul. O Brasil tem 64,3 % da região, seguido pelo Peru (10,1%) e Colômbia (6,2%).

O PIB per capita é de US$ 5.507 ao ano. O da Amazônia brasileira bate em US$ 6.128. A Bolívia tem a renda mais baixa. A mais alta é a da Guiana francesa, com mais de US$ 18 mil, mas esse dado é distorcido pelos gastos com a base europeia de lançamento de foguetes. É na Amazônia venezuelana que está o PIB per capita mais alto da região toda - US$ 9.259.

"Trabalho na Amazônia há 26 anos", diz Adalberto Veríssimo, pesquisador-sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), um dos mais respeitados centros de pesquisa da floresta. "Nunca vi um relatório publicado sobre a região com esse tipo de abrangência."



A afirmação pode soar cabotina - o Imazon é um dos autores do estudo e assina os dados do Brasil -, mas a carência de informações sobre a Amazônia, principalmente quando se sai do Brasil, é desoladora. "Quando se cruza a fronteira", continua ele, "a Amazônia é uma grande desconhecida."

O trabalho rastreou os parâmetros criados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000 para orientar investimentos e melhoras nas condições socioeconômicas dos países em saúde, educação, renda e condições de vida, com foco em 2015. São os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, conhecidos por ODM. Entre as nove metas avaliadas, apenas uma foi alcançada entre todos os países - a que diz que é preciso eliminar as diferenças entre os sexos na educação. A maioria dos indicadores melhorou, da década de 90 a hoje. Mas são melhoras tímidas.

Em alguns países, a desnutrição atinge um quarto da população infantil e a vulnerabilidade é maior para os povos indígenas. As maiores taxas encontram-se no Peru (24%) e na Bolívia (21%).

O analfabetismo na Amazônia está acima do limite internacionalmente considerado crítico, que é de 5%. Na Amazônia brasileira, é mais do que o dobro (11%) e na boliviana, 17%. É naquela região da Bolívia, também, que a mortalidade infantil é mais alta do que a das regiões mais pobres do mundo (73 casos por mil nascidos vivos). A menor taxa nesse quesito, entre os nove países da região, é a da Guiana Francesa, com 10 casos por mil. Só a Venezuela conseguiu diminuir o índice em dois terços em relação a 1990, como está na meta da ONU. Mas ali há contradições - entre os índios venezuelanos, a mortalidade infantil é dez vezes maior que a média do país.

O desmatamento aumentou em todos os países, à exceção do Brasil. A região sofre com pobreza, desigualdade de renda e problemas graves de saúde, como malária e tuberculose. As mulheres têm pouca participação na política. A taxa de mortalidade materna aumentou. Na região que tem mais recursos hídricos do mundo, o acesso à água potável e o saneamento básico é precário. "Conhecer melhor a Amazônia é estratégico", diz Veríssimo. "Temos que entender as pressões que estão em curso na região, as oportunidades e trocar experiências."