Espaço de debate, crônica crítica do cotidiano político paraense e de afirmação dos pressupostos de construção de um Pará e Brasil Democrático e Socialista!

Editor: José Trindade



terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Para Nossa Belém

Nossa homenagem a "Jovem Cidade Morena" nos seus 395 anos:



Por Zé Lins

INUNDAÇÃO (I)
Chove copiosamente sobre Belém,
alagando as almas
inundando desejos,
Chove sofregamente
numa cidade triste,
desfazendo aos poucos velhos quereres,
contradizendo antigas expectativas,
deixando o rastro alagado de ruas, quintais e bocejos sonolentos.


Chove lividamente sobre a baixada de homens gentis.
Cobre as camas, desfaz os leitos, sobrepôs angústias.
Eis um gole de cachaça, branquinha boa que penetra a alma e
aquece o corpo, recebe a enxurrada com a dose de fervor necessária.



A rua encoberta se desfaz e vira o que sempre foi: um igarapé oculto,
forma desfeita pelas mãos descuidadas e necessidades malditas dos maltrapilhos humanos.


Os quintais ao soçobrarem, se enchem e transbordam.
Resta, apenas, o grito comprido do "prego" encharcado no alto do biribazeiro.






A chuva alimenta o pega-pega dos moleques de rua,
na bola suada, na pira danada, na alegrada das brincadeiras
da água vadia.

Chove intensamente na nossa cidade triste.


INUNDAÇÃO (II)

Amanheceu um sol forte,
farta claridade, pouca suavidade.
Meus olhos escancarados cintilavam
de tanta luz,
na rua cachorros sorriam,
homens vadios,
velhos senis.

Meus olhos escancarados se curvavam,
crianças sem dentes sorriam suas bocas nuas,
bêbados crentes recitavam,
pastores descrentes oravam,
meus olhos encantados sorriam.


Na bodega aberta,
com a cachaça posta,
meus olhos atentos lamentavam
a luz recaída.
Fragmentadas as pupilas por fim esvaneceram.





Belém Morena boa
De olhos rasos
Lábios sedosos
Tuas chuvas são nossas lágrimas de alegria!

Capitalismo e o Novo Imperialismo: Elementos de análise a partir de Harvey e Hobsbawm

Por José Trindade (Professor da UFPa)


A indicação dos fatores que definem as sociedades capitalistas modernas desde o século XVIII podem ser focados em três componentes: i) a acumulação de riqueza sob a forma de valor-capital, seguindo um princípio de “motor-perpétuo”;ii) porém regrado pelas crises sistêmicas e periódicas e iii) pelas ações coercitivas, controladoras e ativistas do Estado capitalista.

A acumulação de capital se processa por duas vias historicamente convergentes: a concentração e a centralização da riqueza socialmente produzida. O capital constitui uma relação social básica, cuja forma de expressão se dá pelo controle do agente capitalista sobre os meios de produção e apropriação da riqueza gerada pelo trabalhador no processo produtivo. A riqueza gerada é concentrada e controlada por esse agente social, o que possibilita crescente disponibilidade de valor-capital em suas mãos.

Na medida em que se processa a concentração de riqueza via acumulação, essa crescente disponibilidade possibilita o efeito atrator e centralizador sobre outras massas de riqueza produzidas em outros territórios ou mercados capitalistas dispersos ou sob controle de outros empresários, porém de menor potencial ou capacidade de atração ou concorrência capitalista.

Convém fazer breve parentese: no capitalismo, a principal relação social é a de produção e apropriação da mais-valia (lucro) fundada em relações contratuais entre o capitalista (comprador da mercadoria força de trabalho) e o trabalhador (vendedor da mercadoria força de trabalho). Entre eles trava-se uma troca de equivalentes no processo de circulação de mercadorias: a força de trabalho, mercadoria que é a única propriedade do trabalhador, é comprada pelo capitalista, que oferece em troca a forma monetária salário, o preço da mercadoria força de trabalho. Essa aparente igualdade na forma do trato jurídico torna a relação salarial condição central tanto da reprodução econômica do sistema, quanto da sua configuração política.

Do mesmo modo como a acumulação de riqueza na forma de capital requer o movimento continuo de emprego de força de trabalho e uso de meios de produção (máquinas e ferramentas) para o processamento de novas mercadorias com vistas a obtenção de lucro, o capitalismo requer um Estado regulador e coercitivo sobre as relações sociais. O Estado cumpre a função central de controle e legitimação da ordem capitalista, principalmente ao encobrir as relações de apropriação da mais-valia e justificando positivamente a propriedade privada dos meios de produção, sob a forma de aparente universalidade e igualdade dos direitos de propriedade.

As crises econômicas são sistêmicas e não eventos ocasionais como propalam alguns. Podemos ponderar que o principal aspecto acionador das crises é a chamada superprodução de capital, ou seja, a crescente capitalização da produção que gera contraditoriamente uma massa crescente de mercadorias que não encontram o porto seguro da venda (realização). Esse processo gera a interrupção do ciclo de crescimento com o decorrente declínio da taxa de lucro e estabelecimento de uma série de pontos de estagnação e declínio no mercado.

A retomada da análise do desenvolvimento do capitalismo e, especialmente, de suas contradições, crises e ações do Estado constituem a base da análise de dois livros de grande importância para o entendimento dos acontecimentos econômicos e políticos recentes ao nível internacional e brasileiro. Os trabalhos de David Harvey e Eric Hobsbawm, por mais que ambos publicados na década passada (2004 e 2007, respectivamente) constituem textos problematizadores e, até certo ponto, elucidativos do nosso atual complexo presente-futuro.

Harvey, em seu “O Novo Imperialismo”, assinala que certas características da sociedade estadunidense (EUA), tal como o “inflexível individualismo competitivo”, soma-se aos padrões de domínio econômico, político e militar dessa potência imperial, para impor o atual perigoso jogo de domínio internacional.

Harvey, que é professor da City University of New York, bebe em Marx para compreender como a acumulação capitalista produz as modernas formas de domínio imperialista, denotando as diferenças entre o imperialismo britânico (1814/1914) e o que ele denomina de Novo Imperialismo Norte-Americano. O desiderato desse novo imperialismo para ser entendido necessita da compreensão de como interagem a acumulação interminável de propriedade e a acumulação interminável de poder político. Essa interação foi inicialmente identificada por Hanna Arendt e foi complementada pelas análises de Arrighi em torno da história comparada das diferentes hegemonias globais.

O capital monetário, a capacidade produtiva e a força militar são os pilares em que se apóia a hegemonia no capitalismo. Vale reforçar que a consolidação do poder político burguês no âmbito dos Estados europeus foi uma precondição necessária a uma reorientação territorial segundo os requisitos da lógica capitalista. Harvey observa que a partir do final do século XIX, os EUA passam gradualmente a mascarar o caráter explicito das conquistas e ocupações territoriais sob a capa de uma universalização não espacial de seus valores, discurso que culminaria na atual retórica da globalização. Neste ponto temos uma importante convergência entre Harvey e Hobsbawm.

Para o historiador inglês Eric Hobsbawm, também se tem a universalização de certos padrões econômicos e culturais enquanto cerne de construção da hegemonia internacional estadunidense. Hobsbawm, porém, enfatiza que o mundo por ser demasiado grande, complexo e plural inviabiliza qualquer possibilidade de que os Estados Unidos, ou qualquer outra potência singular possam estabelecer um controle duradouro, mesmo que o desejassem sobre a economia mundial. O questionamento então caminha para a inevitável indagação de como se consolidará a hegemonia estadunidense ou se a atual crise já demarca o campo do devir do imperialismo norte-americano.

Os recentes episódios internacionais econômicos e políticos parecem reforçar a percepção de Hobsbawm. A ausência de autoridades globais não consegue ser substituída pela presença de uma única superpotência, com o agravante, como mostra o recente episódio da crise cambial internacional, que a adoção de medidas de auto-proteção por parte desta superpotência enfraquece os elos de convergência hegemônica e o aparecimento de crescentes vozes destoantes entre sub-potências regionais.

O autor de “Globalização, Democracia e Terrorismo”, denota que quatro movimentos estariam por detrás das tentativas de reviver “um império mundial” (o primeiro teria sido o Britânico): i) o acelerado processo de globalização desde a década de 1960, contudo com conseqüências deletérias de elevação ou agravamento das desigualdades econômicas e sociais entre e intra-nações, além da incapacidade, até aqui, de efetivação de uma globalização da política; ii) o colapso do equilíbrio internacional de forças oriundos da Segunda Guerra Mundial, especialmente o desmantelamento da antiga URSS e o desaparecimento de forças divergentes necessárias ao equilíbrio do sistema de forças; iii) a crise dos Estados nacionais soberanos e/ou a fragilização desses agentes frente outros agentes de acumulação, tais como as mega transnacionais; iv) o regresso de catástrofes humanas maciças e a presença de medo generalizado, seja na forma mais simples de violência causada por disputas banais, por exemplo, a violência juvenil, até formas como a expulsão de populações e o genocídio.

Por mais que os autores não tenham se detido na análise da crise recente do capitalismo central, mas no geral apontam para desdobramentos bastantes sérios e a necessidade de compreensão e ação por parte da esquerda. O agravamento da crise estadunidense, como assim parece estar dada, tem levado ao avanço do discurso fascista tanto nos EUA, quanto na Europa, como mostra o recente episódio no Arizona envolvendo o baleamento da deputada da esquerda Democrata Giffords e um aparente “maluco”, porém claramente influenciado pelo discurso fascista do “Tea Party” e de sua líder Sarah Palin. Mesmo no caso brasileiro, as recentes eleições mostraram que os setores mais conservadores das elites nacionais parecem bastante dispostos a sectarização e direitização do discurso e da ação.

As análises em foco concluem com o impasse quanto aos desdobramentos da economia e sociedade estadunidense, do mesmo modo quanto as incertezas que assopram sobre o desenvolvimento internacional. Da nossa parte nos parece que as condições brasileiras de se impor soberanamente e colaborar com uma saída propositiva, que substitua o medo e a militarização permanente pela busca de um projeto político, econômico e social diferente, devem ser nossas metas a serem propostas e buscadas. 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Capitalismo: o que é isso?

Por Emir Sader

As duas referências mais importantes para a compreensão do mundo contemporâneo são o capitalismo e o imperialismo.

A natureza das sociedades contemporâneas é capitalista. Estão assentadas na separação entre o capital e a força de trabalho, com aquela explorando a esta, para a acumulação de capital. Isto é, os trabalhadores dispõem apenas de sua capacidade de trabalho, produzir riqueza, sem os meios para poder materializa-la. Tem assim que se submeter a vender sua força de trabalho aos que possuem esses meios – os capitalistas -, que podem viver explorando o trabalho alheio e enriquecendo-se com essa exploração.
Para que fosse possível, o capitalismo precisou que os meios de produção –na sua origem, basicamente a terra – e a força de trabalho, pudessem sem compradas e vendidas. Daí a luta inicial pela transformação da terra em mercadoria, livrando-a do tipo de propriedade feudal. E o fim da escravidão, para que a força de trabalho pudesse ser comprada. Foram essas condições iniciais – junto com a exploração das colônias – que constituíram o chamado processo de acumulação originaria do capitalismo, que gerou as condições que tornaram possível sua existência e sua multiplicação a partir do processo de acumulação de capital.
O capitalismo busca a produção e a comercialização de riquezas orientada pelo lucro e não pela necessidade das pessoas. Isto é, o capitalista dirige seus investimentos não conforme o que as pessoas precisam, o que falta na sociedade, mas pela busca do que dá mais lucro.
O capitalista remunera o trabalhador pelo que ele precisa para sobreviver – o mínimo indispensável à sobrevivência -, mas retira da sua força de trabalho o que ele consegue, isto é, conforme sua produtividade, que não está relacionada com o salário pago, que atende àquele critério da reprodução simples da força de trabalho, para que o trabalhador continue em condições de produzir riqueza para o capitalista. Vai se acumulando assim um montante de riquezas não remuneradas pelo capitalista ao trabalhador – que Marx chama de mais valia ou mais valor – e que vai permitindo ao capitalista acumular riquezas – sob a forma de dinheiro ou de terras ou de fábricas ou sob outra forma que lhe permite acumular cada vez mais capital -, enquanto o trabalhador – que produz todas as riquezas que existem – apenas sobrevive.
O capitalista acumula riqueza pelo que o trabalhador produz e não é remunerado. Ela vem por tanto do gasto no pagamento de salários, que traz embutida a mais valia. Mas o capitalista, para produzir riquezas, tem que investir também em outros itens, como fábricas, máquinas, tecnologia entre outros. Este gasto tende a aumentar cada vez mais proporcionalmente ao que ele gasta em salários, pelo peso que as máquinas e tecnologias vão adquirindo cada vez mais, até para poder produzir em escala cada vez mais ampla e diminuir relativamente o custo de cada produto. Assim, o capitalista ganha na massa de produtos, porque em cada mercadoria produzida há sempre proporcionalmente menos peso da força de trabalho e, por tanto, da mais valia - que é o que lhe permite acumular capital.
Por isso o capitalista está sempre buscando ampliar sua produção, para ganhar na competição, pela escala de produção e porque ganha na massa de mercadorias produzidas. Dai vem o caráter sempre expansivo do capitalismo, seu dinamismo, mobilizado pela busca incessante de lucros.
Mas essa tendência expansiva do capitalismo não é linear, porque o que é produzido precisa ser consumido para que o capitalista receba mais dinheiro e possa reinvestir uma parte, consumir outra, e dar sequencia ao processo de acumulação de capital. Porém, como remunera os trabalhadores pelo mínimo indispensável à sobrevivência, a produção tende a expandir-se mais do que a capacidade de consumo da sociedade – concentrada nas camadas mais ricas, insuficiente para dar conta do ritmo de expansão da produção.
Por isso o capitalismo tem nas crises – de superprodução ou de subconsumo, como se queira chamá-las – um mecanismo essencial. O desequilíbrio entre a oferta e a procura é a expressão, na superfície, das contradições profundas do capitalismo, da sua incapacidade de gerar demanda correspondente à expansão da oferta.
As crises revelam a essência da irracionalidade do capitalismo: porque há excesso de produção ou falta de consumo, se destroem mercadorias e empregos, se fecham empresas, agudizando os problemas. Até que o mercado “se depura”, derrotando os que competiam em piores condições – tanto empresas, como trabalhadores – e se retoma o ciclo expansivo, mesmo se de um patamar mais baixo, até que se reproduzam as contradições e se chegue a uma nova crise.
Esses mecanismos ajudam a entender o outro fenômeno central de referência no mundo contemporâneo – o imperialismo – que abordaremos em um próximo texto.

Pintura de Van Gogh

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Debate:“Panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil”

Prezadas (os) amigas (os)
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em parceria com a Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (Socicom), acaba que concluir uma pesquisa sobre o “Panorama da comunicação e das telecomunicações”. Em três volumes, o estudo inédito no país apresenta um amplo paínel sobre o setor e visa ajudar na construção de futuras políticas públicas. Sua publicação coincide a vontade expressa do novo governo de elaborar um novo marco regulatório da comunicação.
Com o objetivo de conhecer e discutir o seu conteúdo, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé realizará na próxima terça-feira, dia 11, a partir das 19 horas, no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, o debate “Panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil”. Marcio Pochmann, presidente do IPEA, fará a apresentação dos resultados da pesquisas. E o jurista Fábio Konder Comparato e o jornalista Paulo Henrique Amorim debaterão o tema.
Participe. Ajude a divulgar este importante evento na sua lista de endereços eletrônicos e nas redes sociais.
Debate: “O panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil”
Dia: 11 de janeiro, terça-feira, às 19 horas.
Local: Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (Rua Rego Freitas, 530 – Sobreloja, próximo ao Metrô República).
Expositor: Marcio Pochmann, presidente do IPEA
Debatedores: Fábio Konder Comparato e Paulo Henrique Amorim.
Por favor, confirme sua presença através do nosso e-mail: contato@baraodeitarare.org.br
Att,
Danielle Penha – Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
Fone: (11) 3054-1829 – (11) 3054-1848 fax – contato@baraodeitarare.org.br
Acessem: www.baraodeitarare.org.br

A Educacao publica enquanto meta nacional

O debate educacional parece ser, como ressalta Safatle no artigo publicado por Carta Capital (ver link), de fato paradoxal no Brasil. Colocar no centro de todas as preocupacoes as redefinicoes necessárias a melhoria estrutural da educação publica, aprofundando a critica ao ensino privado e construindo proposicoes exequíveis para os próximos governos são componentes da luta pelo projeto Brasil Nação e parte central do processo de Revolução Democrática.

Corretamente Safatle pondera que "a partir do momento em que um governo coloca questões educacionais como prioridade real, solucoes podem sempre ser encontradas". Confira a integra do artigo no link: Paradoxo nativo

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Dilma reitera as políticas de distribuição de renda e o discurso republicano

No discurso que durou 45 minutos a nova Presidente convergiu o discurso para o aprofundamento das políticas sociais e de um novo padrão de desenvolvimento:

“A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos.

Uma expressiva mobilidade social ocorreu nos dois mandatos do Presidente Lula. Mas, ainda existe pobreza a envergonhar nosso país e a impedir nossa afirmação plena como povo desenvolvido.

Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa, enquanto houver famílias no desalento das ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas à própria sorte. O congraçamento das famílias se dá no alimento, na paz e na alegria. E este é o sonho que vou perseguir!

Esta não é tarefa isolada de um governo, mas um compromisso a ser abraçado por toda sociedade. Para isso peço com humildade o apoio das instituições públicas e privadas, de todos os partidos, das entidades empresariais e dos trabalhadores, das universidades, da juventude, de toda a imprensa e de das pessoas de bem.
A superação da miséria exige prioridade na sustentação de um longo ciclo de crescimento. É com crescimento que serão gerados os empregos necessários para as atuais e as novas gerações.
É com crescimento, associado a fortes programas sociais, que venceremos a desigualdade de renda e do desenvolvimento regional.
Isso significa - reitero - manter a estabilidade econômica como valor absoluto. Já faz parte de nossa cultura recente a convicção de que a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador. Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que esta praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres.
O ser humano não é só realização prática, mas sonho; não é só cautela racional, mas coragem, invenção e ousadia. E esses são elementos fundamentais para a afirmação coletiva da nossa nação....
A partir deste momento sou a presidenta de todos os brasileiros, sob a égide dos valores republicanos.”
Leia integra no link: Discurso Dilma

domingo, 2 de janeiro de 2011

Democracia e Distribuicao de Renda no Governo Lula

Por José Trindade (Prof. Ufpa)
Iniciamos o trigésimo sexto governo da Republica (somente mandatários empossados), o oitavo após o processo de redemocratizacao, o terceiro que tem a frente uma militante politica vinculada ao PT e  o primeiro que tem a primazia de uma Mulher.
As relacoes democráticas tiveram importante aprofundamento nos últimos oito anos, considerando os movimentos de representação, por mais que a forca e o poder das relacoes de representação ideológica, especialmente os meios midiaticos, continuem centralizados e controlados por grupos familiares e conservadores. A grande novidade, por enquanto, constitui a Internet e as Redes Sociais, capitulo inverossímil da criatividade humana.
Deve-se ponderar que a organização da sociedade passou por alteracoes estruturais, sendo que a fase de construção dos movimentos da sociedade durante as décadas de 80 e 90 promoveram a politização do Brasil da década de dez. Convém ressaltar que a menor virulência do pensamento neomonetarista e de seus desdobramentos politicos no pais, foram fortemente controlados pela resistência dos movimentos populares  e de exposição de um projeto de nação contido nas manifestacoes da esquerda brasileira na década de 90.
O balanço desses oito anos de governo Lula, sob o ponto de vista da esquerda democrática e dos interesses da grande maioria da população, foi positivo; mesmo que não poucas reformas sociais não tenham ganho a dimensão e os limites necessários ao processo de Revolução Democrática que o Projeto de Brasil Nação requer. Componente central para pensarmos um projeto nacional constitui os mecanismos de distribuição de renda. As caracteristicas históricas brasileiras de concentração da riqueza e da renda, aspectos já muito estudados,  porem necessários de serem relembrados dado o nosso dote ibérico “da permanente ténue memoria”.
Nesses oito anos de governo Lula as transferencias de renda para as famílias subiram de 6,8% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2002 para 9% do PIB em 2010. O gasto adicional de 2,2% do PIB significa que o governo federal transferiu às famílias cerca de R$ 75 bilhoes a mais do que em 2002. Vale destacar que o aumento das transferencias, incluindo benefícios vinculados a LOAS (Lei Orgânica de Assistência Social) e o Programa Bolsa Família, absorveu todo o crescimento da receita bruta da União (receita anterior as transferencias constitucionais para Estados e Municípios) no período de 2002/2010. Esse aspecto constitui ponto central, pois significa que durante o governo Lula todo o aumento da carga tributaria na área federal virou transferencia de renda para a população.
Temos que avançar na redistribuicao da riqueza e da renda, o que não se faz somente com os atuais programas, porem pelo aprofundamento dos mesmos e pela aplicação de um novo regramento tributário, que possibilite com que a riqueza e a propriedade sejam os financiadores do Fundo Publico e não os salários, como hoje ocorre parcialmente.
Democracia e Redistribuicao da Riqueza e da Renda única forma de eliminarmos a Extrema Pobreza.